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Meia-noite em Paris

MIDNIGHT-IN-PARIS-poster

Inúmeras imagens de Paris constituem a abertura de Meia-noite em Paris. Inúmeras imagens da cidade-luz. Da cidade do amor. De um dos mais inspirados lugares do mundo. O que Woody Allen faz com a cidade no filme, no entanto, é uma reflexão dupla: ao mesmo tempo que de fato mostra Paris de uma forma apaixonante, desconstrói as idealizações que o espectador pode ter sobre outros lugares/tempos que não seu próprio presente.

De alguma forma, o novo filme de Allen dialoga com Tudo pode dar certo. Se lá o diretor partia da aceitação do minimamente satisfatório para as possibilidades de uma existência feliz, aqui o ponto de partida é a nostalgia que os personagens sentem e a insatisfação com as situações nas quais se encontram. Gil Pender é um roteirista que tem certeza que seria feliz se fosse um autor de romances e vivesse na Paris da década de 1920, quando as vanguardas se encontram na capital francesa. Por uma razão desconhecida, Pender é transportado justamente para a época de seu desejo. Lá encontra Hemingway, que lhe dá conselhos amorosos, Gertrude Stein, que lê seu romance inacabado a fim de lhe dar sugestões, Luis Buñuel, a quem sugere o plot de O Anjo Exterminador e, finalmente, Adriana, uma estudante de moda que também é amante de Picasso .

Pender começa a alternar, então, os dias enfadonhos com sua noiva [que se sente atraída por um pedante ex-professor] passados em intermináveis compras de decoração com as noites fervilhantes de encontros com seus ídolos. Ao longo de suas noitadas, Pender estabelece uma relação afetuosa com Adriana, que lhe confessa sua instatisfação com a década de 1920, bem como sua idealização com a década de 1890. Posteriormente, tanto Pender quanto Adriana são transportados para essa época e lá encontram Gauguin e Degas, que sonham com a Renascença. É aí, então, que está o ponto do filme. Como o professor [vivido com humanidade surpreendente por Michael Sheen] diz em certo ponto do filme, a nostalgia pode ser fruto, dentre outras coisas, da insatisfação com o presente e de uma idealização excessiva do passado. E isso não é característica fundamental de agora. A idealização em excesso nada mais faz do que cegar para as coisas interessantes que podem existir no presente, como uma vendedora francesa extremamente atenciosa. Assim, Allen vai lentamente mostrando que, para as gerações posteriores, a Renascença, a Bélle Epoque, a década de 1920, a Paris atual [para o espectador] são somente sonhos. Importantes, em certa medida, mas que desfocam nosso olhar da fruição possível do presente.

 

Meia-noite em Paris (Midnight in Paris, Woody Allen – 2011) – ****

CategoriasFilmes
  1. julho 7, 2011 às 7:34 pm | #1

    Gostei bastante do filme, especialmente considerando que detestei Whatever Works e Tall Dark Stranger. Além dos pontos em comum com A Rosa Púrpura do Cairo, ainda tem um quê de Manhattan. E o Michael Sheen é divertidamente irritante!

  1. dezembro 31, 2011 às 9:54 pm | #1

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