Contatos Imediatos do Terceiro Grau

abril 24, 2018 Deixe um comentário

LCeT - Close Encounters of the Third Kind

Sempre me fascinou em Encurralado como Spielberg sugere uma crise existencial muito própria em seu protagonista de meia idade. Existe farta simbologia para comunicar os conflitos de sua masculinidade, indo da ululante alegoria do caminhoneiro sem rosto que o desafia sem razão aparente até detalhes como as crianças caçoando do personagem (evocando as provocações de escola), passando pelo imaginário clássico do automóvel e do caminhão (pausa para dar um tchauzinho para Freud) e passeando pela ação e pelo faroeste, à época gêneros quase sinônimos de hombridade. É difícil não lembrar disso tudo vendo Contatos Imediatos do Terceiro Grau, uma exploração ainda mais evidente das inseguranças do trabalhador branco de classe média.

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The Cloverfield Paradox

abril 9, 2018 Deixe um comentário

LCeT - Cloverfield Paradox

Tem tanta coisa preguiçosa, desinteressante e desconjuntada acontecendo tão cedo em The Cloverfield Paradox que até parece que uma hora a farofa vai sair vitoriosa, mas, eventualmente, fica claro que há tantos interesses conflitantes que quase nada funciona.

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Deixe a Luz do Sol Entrar

abril 8, 2018 Deixe um comentário

LCeT - Un Beau Soleil Intérieur

Talvez Deixe a Luz do Sol Entrar seja uma forma peculiar de acessar o cinema de Denis e os temas no cerne do filme, mas até por isso é uma experiência mais do que interessante. A diretora tem certo fascínio pela masculinidade, não raro trabalhando também como essa faceta se relaciona com o sexo feminino.

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Terra Selvagem

março 30, 2018 Deixe um comentário

LCeT - Wind River

Taylor Sheridan tem talento como roteirista, como evidenciado pelo belo A Qualquer Custo, mas o resultado não é tão potente neste Terra Selvagem, sua estreia como diretor-e-roteirista. Muito é por conta, verdade seja dita, de sua direção, incomparável à de David Mackenzie. Sheridan não economiza no didatismo, tem surtos de energia sem foco e pouco ajuda a dar unidade estética para diálogos um tanto erráticos, que tentam equilibrar frases de efeito existenciais, expressão de frieza, exposição sentimental, falas expositivas e às vezes até pitadas díspares de humor.

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A Melhor Escolha

março 29, 2018 Deixe um comentário

d 2018 last flag flying

Pode ser por acaso, mas os três personagens principais de A Melhor Escolha emulam uma imagética clichê, pueril até, do humano ladeado por um anjo e um demônio que sussurram sugestões díspares em seus ouvidos. Há pelo menos uma cena que de fato coloca Steve Carrell no meio de Laurence Fishburne e Bryan Cranston a escutar as ideias conflitantes de ambos, com o adicional de um ser um padre de batina e o outro ter um visual bad boy da terceira idade, jaqueta de couro e tudo. Vai além das aparências, inclusive, como fica evidente nas discordâncias entre os dois “lados” e sua influência nas decisões do personagem central, seja no imediatismo bobo de comprar um celular ou na decisão de revelar a verdade sobre a morte de um ente querido. No entanto, com o tempo, outras dinâmicas vão se desenvolvendo e sinalizando uma apropriação de ambas as perspectivas: a índole irascível e hedonista com a paz de espírito conciliatória.

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Aniquilação

março 27, 2018 Deixe um comentário

LCeT - Annihilation

Aniquilação é um belo exemplar de ficção científica/horror que funciona quase que perfeitamente em seu recorte de gêneros. Após uma apresentação sucinta, o foco segue para a construção da atmosfera, ponto no qual Garland se esmera, mas que também delata diversas fragilidades narrativas. A desorientação temporal que dá início à missão surge cedo demais e não se repete, botando a perder parte do estranhamento. Mais distrativa é a inserção dos flashforwards, cujos (poucos) diálogos menos didáticos caberiam melhor no final, e dos flashbacks, pois, ainda que interessantes para desenhar a protagonista, as inserções às vezes quebram o ritmo da jornada.

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Lady Bird: A Hora de Voar

março 10, 2018 Deixe um comentário

LCeT - Lady Bird

Greta Gerwig parece ter uma noção perfeita do que seu filme tem de familiar e de próprio, pois trata cada elemento de acordo. Na estrutura coming of age, tudo segue como esperado, e exatamente por isso o roteiro se vale de construir os personagens com franqueza e emotividade bastante particulares.

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