Me Chame Pelo Seu Nome

janeiro 19, 2018 Deixe um comentário

LCeT - Call Me By Your Name

É bastante irônico que Me Chame Pelo Meu Nome tenha chegado aos cinemas (tanto os brasileiros quanto os dos EUA) com uma diferença de praticamente um ano para Moonlight, o primeiro filme LGBTQ e o primeiro de elenco inteiramente negro a conquistar um Oscar de Melhor Filme. A questão está na natureza radicalmente branca, rica e europeia de toda a ambientação do romance homossexual dirigido por Luca Guadagnino. A parte mais interessante desse paralelo entre lançamentos é que não há, neste mais recente, uma tentativa de ser “universal” a partir de sua perspectiva privilegiada. Há antes a construção de uma estranheza para contrastar com os pontos mais comuns da experiência amorosa.

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A Cidade Onde Envelheço

janeiro 12, 2018 Deixe um comentário

LCeT - Cidade

Ao longo de A Cidade Onde Envelheço, Marília Rocha vai se distanciando das possíveis expectativas mais comuns que um espectador carrega ao assistir a um filme. É difícil estabelecer se há elementos para categorizar o longa-metragem como drama ou qualquer outro gênero, já que a cineasta trata com considerável suavidade os momentos mais corriqueiros do dia a dia de suas duas protagonistas. Não é algo tão raro no cinema nacional (Corpo Elétrico também se fundamentou nesses pontos mortos e impasses da idade adulta), mas Rocha tece essa rotina numa dinâmica de leve afeto, empatia e cordialidade. Essa proposta é construída de tal maneira que potenciais crises domésticas são desaceleradas pelo véu da simpatia entre as mulheres e de genuína redescoberta de suas afinidades, num processo entrelaçado com o nosso olhar, de fora, para aquele desenrolar da amizade. Ademais, até os conflitos efetivos tardam a se desenhar na trama, ao que a já avançada conexão das personagens funciona para redirecionar apuros para novos desdobramentos afetivos entre as duas.

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Onde Está Segunda?

janeiro 2, 2018 Deixe um comentário

LCeT - What Happened To Monday

Pode ser até tentador procurar em Onde Está Segunda? um filme sobre os limites da identidade e as complexidades das máscaras sociais usadas no dia a dia, mas esses aspectos figuram de forma bastante básica. A parte boa é que o longa oferece duas qualidades bem mais consistentes: a amplitude dramática de Noomi Rapace e a noção de ação do diretor Tommy Wirkola.

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Raw

janeiro 2, 2018 Deixe um comentário

LCeT - Raw

Não dá para exagerar e dizer que Raw desperdiçou uma boa proposta, porque partes consideráveis do filme são derivadas de outros muito mais bem explorados, especialmente Possuída  (Ginger Snaps) e Vagina Dentada (Teeth); com o bônus de ter no mais recente Thelma uma abordagem muito superior da universidade como porta de uma jovem para descobertas avassaladoras. Mesmo assim, qualquer potencial – e, em algum nível, até as ótimas performances das atrizes principais, Garance Marillier e Ella Rumpf – se esfacelam por conta de uma execução trôpega.

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Sala Verde

dezembro 30, 2017 Deixe um comentário

LCeT - Green Room

De cara parece ser um filme baseado na estética punk, com a narrativa veloz, a montagem brusca e o conjunto de imagens e situações ao mesmo tempo agressivas e divertidas, caóticas mas confortáveis. Quando a trama dá a partida, porém, a palavra de ordem é o confronto, opondo aquela postura provocativa e desordeira à organização dos neonazistas que mantêm os personagens principais sitiados.

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Star Wars: Os Últimos Jedi

dezembro 21, 2017 Deixe um comentário

LCeT - Star Wars The Last Jedi

Star Wars: Os Últimos Jedi é uma expressão bastante impressionante do que um filme de proporções (em vários sentidos) colossais pode construir a partir de suas amarras. Existe todo um emaranhado que enreda vários fatores: os enormes valores da produção; o afã por um retorno financeiro; as expectativas incalculáveis de um séquito de fãs e apreciadores casuais; a dimensão do universo lançado há 40 anos por George Lucas. Apesar de tantos grilhões criativos – mas também graças ao conforto de suceder dois sucessos bilionários consecutivos – a nova aventura sci-fi se torna uma criatura muito especial, rara até, na medida em que cria uma ponderação sobre seu próprio legado.

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Thelma

dezembro 11, 2017 Deixe um comentário

LCeT - Thelma

É muito raro (e especial) encontrar uma obra tão cheia de coisas a dizer e questionar, mas ao mesmo tempo tão coesa. Trier constrói uma trama relativamente simples e, a partir dela, desenvolve a contento inúmeros temas interligados: a ameaça de uma doença mental, os perigos de se reprimir sentimentos e impulsos, a religião como resposta enganosa para tudo, a divindade vista como farol mas simultaneamente culpada pela natureza pecadora do fiel, o afã de se criar (ou falsear) uma realidade desejada, a descoberta do amor, o turbilhão emotivo da juventude (na adolescência tardia de uma jovem privada pelo dogmatismo), a quebra de paradigma infantil com a presença de um irmão, o baque dos pais quando seus filhos se tornam aquilo que mais temiam.

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