Z – A Cidade Perdida

junho 17, 2017 Deixe um comentário

LCeT - The Lost City of Z

Há certa ironia no fato de James Gray ter ambientado seus dois últimos filmes no início do século passado. Afinal, tanto Amantes quanto Era uma Vez em Nova York são fortemente calcados no futuro, com tramas desenvolvidas em torno de personagens que buscam se distanciar de seu passado e progredir em alguma direção. No entanto, o que Gray constrói para tornar sua obra tão afetiva e honesta é a consciência de que o passado nunca pode se desvencilhar do ser. E Z – A Cidade Perdida segue a mesma tendência.

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Mulher-Maravilha

junho 3, 2017 Deixe um comentário

LCeT - Wonder Woman

Pouca coisa é tão impressionante em Mulher-Maravilha quanto o número de histórias diferentes que não só cabem, mas funcionam a contento juntas. Dizer que algo “funciona” pode até ser subjetivo, mas há de se levar em conta que os vários tropos e fórmulas têm todos algum contexto, algum impacto e/ou algum peso para a trama como um todo. Dentro de um arcabouço mais abrangente – o da história de origem de super-herói –, há inúmeras peças muito bem encaixadas.

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Silêncio

maio 31, 2017 Deixe um comentário

LCeT - Silence

Em um caso como o de Silêncio, é essencial chegar até o fim da projeção para ter uma percepção real do que se viu até ali. No embate furioso de discursos aparentemente incompatíveis que domina as quase 3 horas de filme, é muito difícil precisar qual a perspectiva adotada por Scorsese para tocar na história do padre português Sebastião Rodrigues (Andrew Garfield) e de sua crise de fé. Por um lado, é evidente que a voz que predomina é a do personagem central, subjetiva, mas muitas situações têm grande impacto nesse ponto de vista predominante.

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Corra!

maio 28, 2017 Deixe um comentário

LCeT - Get Ou

Para um filme, não basta simplesmente tocar num assunto pertinente e atual. A diferença do aproveitamento vazio para o abalo real está em transformar o tópico em elemento audiovisual ou tema de impacto. E isso Corra! tem de sobra. Há um poder descomunal em imagens como as lágrimas que escorrem no rosto estarrecido de Chris (Daniel Kaluuya) enquanto a sogra (Catherine Keener) o controla e as Georgina (Betty Gabriel) deixam verter sobre um sorriso exagerado de empregada forçosamente cordial, e ainda mais, em tempos de Black Lives Matter, o momento de tirar o fôlego no clímax em que as luzes do carro de polícia brilham na pele do ator principal.

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Paterson

maio 24, 2017 Deixe um comentário

LCeT - Paterson

De vez em quando surge um filme romântico como Paterson, e a oportunidade é preciosa como poucas. Um caso como esse vai além de um roteiro voltado à paz morna da rotina, à singela riqueza dos universos humanos que se cruzam, à beleza suave das cenas vistas e revistas dia após dia, e se deve em igual parte à construção dessa poesia através da câmera, da montagem, do tom de cada cena e das atuações. A delicadeza irresistível da direção de Jarmusch permite um vislumbre honesto, mas ao mesmo tempo embriagado da visão de seu protagonista, guia para a variação tão bela de narrativa que se desenvolve.

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Maníaco (2012)

maio 22, 2017 Deixe um comentário

LCeT - Maniac

Em que pese sua inventividade estilística, Maníaco se sai um filme de psicopata bem básico. Por um lado, a filmagem em primeira pessoa é uma proposta intrigante; por outro, trata-se de uma simples radicalização de dois elementos típicos: o vislumbre de uma psique atormentada e a noção de espectador sádico inerente a essa vertente do horror. Também tem contrapartida a tentativa do diretor Franck Khalfoun de produzir imagens que nos forçam a repensar o olhar e recolocar o protagonista em cena, pois isso ocorre apenas em momentos pontuais, como a primeira conversa de Frank (Elijah Wood) com Anna (Nora Arnezeder).

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O Convite

maio 20, 2017 Deixe um comentário

LCeT - The Invitation

O Convite faz uso da perspectiva de seu protagonista de maneira excepcional. Este é um thriller de desenvolvimento vagaroso, mas não num crescendo tradicional que vai intensificando a tensão e deslindando os mistérios. De certa forma, o ponto principal da trama – o culto dos anfitriões – é rapidamente apresentado e explicado, mas sua própria natureza se torna ambígua por conta da reação de Will (Logan Marshall-Green). Existe um óbvio potencial para o horror na ideia de um grupo de pessoas, todas marcadas por traumas ou pela autodestrutividade, que se reúnem num local afastado do México para aprender a se desapegar do medo da morte e enxergar a beleza de um além-vida. Porém, há um problema fundamental em testemunhar tudo pelo filtro estilhaçado de Will, que vê na nova crença da ex-esposa Eden (Tammy Blanchard) uma simples fuga da realidade traumática de que perderam seu filho. Com esse impasse, a estrutura, o ritmo e a atmosfera do filme se desenvolvem fora dos padrões.

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